Publicações

Escrevendo a ciência: público-alvo e formato

As pessoas que buscam orientação sobre como escrever um texto ouvem muitas vezes o seguinte conselho: “para haver comunicação efetiva de ideias, é preciso conhecer o público-alvo”. Essa máxima também é verdadeira para quem escreve artigos científicos. Entretanto, antes de pensar nos muitos pesquisadores, clínicos ou profissionais que desejamos que leiam (e citem) o nosso artigo, é preciso levar em consideração um outro público-alvo — o bem conhecido reviewer ou referee, o parecerista que vai opinar sobre o valor do artigo para a revista onde estamos submetendo. O reviewer é, portanto, o nosso primeiro público leitor.

O foco principal desse primeiro leitor crítico é controle de qualidade: certificar-se de que o estudo descrito no artigo foi conduzido de forma ética e rigorosa e de que o artigo, na qualidade de relatório de pesquisa, demonstra isso de forma clara. O artigo contextualiza a necessidade do estudo que está sendo feito? Explicita o objetivo do artigo? Detalha de forma suficiente os métodos? Indica que o protocolo teve aprovação de um comitê de ética? Descreve de forma transparente os resultados? Discute o significado desses resultados com conhecimento da literatura e sem propor hipóteses exageradas? Se lido de forma independente, o resumo dá ao leitor uma noção adequada sobre o trabalho realizado? Essas são alguma perguntas feitas pelos reviewers ao analisarem um artigo, para as quais precisam encontrar respostas.

E, para que o reviewer encontre as respostas, é preciso que elas estejam claramente descritas e que apareçam no lugar onde ele espera encontrá-las na estrutura do texto. O artigo científico é um gênero de texto com convenções bem específicas. Respeitar essas convenções ajuda a navegação do reviewer para que ele encontre as respostas que procura. Se não houver objetivo ao final da introdução, ou se os resultados apresentarem alguma análise cujo método não foi descrito na seção de materiais e métodos, a tendência é que o artigo seja avaliado de forma negativa, mesmo que o estudo em si tenha sido realizado de forma rigorosa e que tenha produzido resultados interessantes. O respeito às normas da revista também é crucial para que o artigo seja lido até o final e avaliado com a devida atenção.

Aqui examinamos o case da BMJ Open, uma revista que publica todo o diálogo entre reviewers e autores até a aceitação do artigo:

Outra dica: como o espaço de texto, figuras e tabelas é sempre limitado nos artigos, o uso de materiais suplementares, aceito por praticamente todas as revistas, pode servir como mais uma garantia da qualidade do trabalho: o vídeo de uma cirurgia bem feita ou tabelas que apresentam dados mais completos da população de pacientes podem ajudar no entendimento ou avaliação positiva do artigo nessa primeira fase, mesmo que não sejam publicados como parte integral do texto aceito.

Em breve, trataremos de outros tópicos relacionados a esse – como colaboração do autor com o tradutor para produzir um artigo de qualidade e as checklists disponíveis na literatura para controle de qualidade.


CLAUDIA BUCHWEITZ
Diretora geral – Scientific Linguagem

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por no dia 27 de junho, 2015      nenhum comentário

Chamada de artigos da Revista Pan-Americana de Saúde Pública

A Revista Pan-Americana de Saúde Pública, publicada pela Organização Pan-Americana da Saúde, está selecionando artigos para um número especial que terá como tema o “Fortalecimento de Sistemas Reguladores para Medicamentos e outras Tecnologias em Saúde na Região das Américas”.

A publicação está prevista para o final de 2015 e o prazo para submissão de artigos vai até o próximo dia 30 de janeiro. Serão aceitos trabalhos em português, espanhol ou inglês.

Mais informações: Chamada de Artigos

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por no dia 1 de novembro, 2014      nenhum comentário

Clássicos infantis para serem lidos por adultos


Já que o Dia das Crianças está chegando, sugerimos cinco clássicos infantis que merecem ser lidos (e relidos) em qualquer idade:

O PEQUENO PRÍNCIPE

Poucos livros foram (e são) tão lidos e apreciados por pessoas de diferentes faixas etárias como essa obra do francês Antoine de Saint-Exupéry, o que a coloca entre as maiores da história. Através do diálogo entre um aviador e uma criança, essa fábula trata de questões que remetem à vida do próprio autor. Com simbolismo e sensibilidade, Saint-Exupéry suscita a reflexão sobre o ser humano.


ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

Essa obra surrealista do inglês Lewis Carroll (pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson) é um dos maiores clássicos da literatura. Repleto de simbolismos, o livro conta as aventuras de Alice. Ao cair numa toca de coelho, a menina vai parar num lugar enigmático, habitado por criaturas fantásticas. Uma edição especial, publicada em 1969, foi ilustrada pelo pintor catalão Salvador Dalí.


AS AVENTURAS DE HUCKLEBERRY FINN

Romance que mescla a espontaneidade da infância com eventos históricos do século XIX que marcaram a sociedade estadunidense. O livro conta a história de um garoto que foge de seu pai e encontra um escravo em fuga, com quem parte numa jangada pelo rio Mississipi. Essa é considerada a principal obra do escritor Mark Twain e uma referência para a literatura dos Estados Unidos.


MAFALDA

Quino criou a personagem mais crítica da história. Curiosa e incansável, Mafalda mescla inocência com inteligência nas suas reflexões sobre o mundo em que vive. Seus questionamentos são tão profundos que deixam seus amigos e até mesmo seus pais sem resposta. As tiras da pequena portenha, que há pouco completou 50 anos, continua cativando leitores de todas as idades.


O MENINO MALUQUINHO

O personagem de maior sucesso de Ziraldo é um menino inteligente, amigo, criativo e arteiro. Tirava ótimas notas, mas não tinha um comportamento “exemplar” na escola. O livro mostra que essa “maluquice”, que lhe rendeu a alcunha, nada mais era do que viver o doce sabor de uma infância nas ruas do bairro Santo Antônio, na Belo Horizonte dos anos 1980. Vale a leitura para relembrar esses tempos.

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por no dia 9 de outubro, 2014      nenhum comentário

Mais um livro traduzido pela equipe da Sci

Este é o livro “Modelagem Plana para Moda Feminina”, que contou com a tradução das colaboradoras Laura Martins e Patrícia Varriale da Silva, coordenadas pela Claudia Buchweitz. Para detalhes, clique na imagem:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Parabéns às envolvidas neste belíssimo trabalho!
 

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por no dia 26 de março, 2014      nenhum comentário

Novas recomendações do ICMJE

Renomados periódicos como Annals of Internal Medicine, Journal of the American Medical Association e British Medical Journal estão entre os 14 membros oficiais do International Committee of Medical Journal Editors (ICMJE). Mais de mil outras revistas médicas seguem voluntariamente as sugestões desse comitê, que deu origem ao Estilo Vancouver para elaboração de referências.

As primeiras recomendações do ICMJE foram publicadas em 1978. Desde então, novas demandas envolvendo pesquisas científicas na área da medicina foram surgindo, requerendo orientações adicionais que culminaram no documento Recommendations for the Conduct, Reporting, Editing, and Publication of Scholarly Work in Medical Journals, publicado em dezembro de 2013.

Clique aqui para ler as novas recomendações do ICMJE.

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por no dia 27 de fevereiro, 2014      nenhum comentário

Os desafios advindos da colaboração entre grupos de pesquisa de diferentes países

As colaborações entre grupos de pesquisa de diferentes países são cada vez mais comuns na ciência. Este contexto de produção científica internacionalizada tem muito a contribuir com a produção de conhecimento e a sua disseminação, mas também traz novos desafios, especialmente com relação à ética e à integridade. Mesmo havendo consenso sobre alguns pontos, há questões que esbarram em diferenças culturais tanto entre as áreas quanto entre os países.

A 3ª Conferência Mundial sobre Integridade na Pesquisa reuniu, em outubro passado, acadêmicos de instituições de diferentes áreas e países. Eles discutiram essas questões e o resultado foi o “Montreal Statement on Research Integrity in Cross-Boundary Research Collaborations”, um documento que estabelece responsabilidades individuais e institucionais nas parcerias internacionais de pesquisa. A conferência anterior, realizada em 2010, resultou no “Singapore Statement on Research Integrity”, que assenta globalmente princípios e responsabilidades profissionais indispensáveis para a integridade na pesquisa.

Veja as declarações:

- Montreal Statement on Research Integrity in Cross-Boundary Research Collaborations

- Singapore Statement on Research Integrity

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por no dia 24 de janeiro, 2014      nenhum comentário

Periódicos brasileiros suspensos do JCR

Esta semana foi marcada pela ampla divulgação da suspensão de periódicos brasileiros da área da saúde do JCR (Journal Citation Reports), um dos principais índices que medem o fator de impacto das revistas científicas (número de citações dos artigos publicados). O motivo foi a suspeita de irregularidade em citações, devido a “padrões de citação anômalos”, que teriam resultado na distorção dos respectivos fatores impacto. Sendo assim, os periódicos suspensos não terão fator de impacto no JCR em 2012.

Até o ano passado, a Thomson Reuters (organizadora do JCR) atentava somente para a quantidade excessiva de auto-citações, mas começou também a mapear o “citation stacking“, uma prática similar a um cartel (um periódico cita outro e vice-versa, aumentando assim a média de citações de ambos). Vale lembrar que o fator de impacto é muito associado ao prestígio de uma revista, embora haja controvérsias no mundo científico. Atualmente, os periódicos com os maiores fatores de impacto são a CA: A Cancer Journal for Clinicians, The New England Journal of Medicine e Reviews of Modern Physics.

A Scielo e a ABEC publicaram uma declaração ressaltando que o mau uso do fator de impacto há anos desvirtua o real significado deste indicador para a ciência e lembrando que são os editores das revistas os responsáveis pelo zelo à ética na comunicação científica. O SCImago Journal & Country Rank, reconhecido pela Capes como equivalente ao JCR, manteve o fator de impacto dessas revistas. Há também outras revistas suspensas além das brasileiras, mas para o país é especialmente importante o esclarecimento da situação, de modo que a relevância conquistada pelos seus periódicos recentemente não seja afetada. De qualquer forma, este é um momento bastante oportuno para reflexões e discussões que incentivem a evolução da pesquisa científica.

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por no dia 5 de julho, 2013      nenhum comentário

O Objeto Digital Identificado

Qualquer um que, por alguma razão, tenha feito uma lista de referências bibliográficas nos últimos 8 anos deve ter notado um elemento novo, o DOI – Digital Object Identifier. Em abril deste ano, o Sistema DOI ultrapassou a marca de 50 milhões de DOIs. Entretanto, nem todos os  mortais sabem para que serve, nem que vantagens têm, esse identificador. A informação mais fácil de entender, e, portanto, a que é mais divulgada, pode ser resumida assim: o DOI é um identificador único para objetos digitais, que persiste mesmo que mudem outras informações acerca desses objetos. Por exemplo, se uma revista biomédica muda de site, pode-se localizar os artigos pelo DOI (você pode fazer um teste com um DOI conhecido utilizando o link http://dx.doi.org/), mesmo sem que se saiba o novo endereço da revista. Em princípio, seria possível fazer links diretamente de DOI para DOI; e há quem defenda citar somente o DOI ao invés da referência completa, o que simplificaria bastante a questão dos estilos de referências. Os DOIs podem também ser usados para outros objetos, como imagens, áudio, ou software. Entretanto, como ensina o DOI Handbook, o objetivo do DOI não é apenas identificar a localização de um objeto, mas, isso sim, identificar a propriedade intelectual e o objeto em si. Em alguns casos, inclusive, o DOI não levará ao objeto. Por exemplo, o DOI pode ser usado para identificar objetos abstratos que não estão vinculados a um arquivo digital. Entretanto, o DOI poderia oferecer informações sobre esse objeto — o que ele representa ou a quem pertence. Para quem se interessa, vale a pena ler o Handbook, já que o conceito de DOI permite a reflexão sobre muitos aspectos da Internet nos quais gente não pensa todos os dias.

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por no dia 24 de outubro, 2011      nenhum comentário

Higiene X infecções hospitalares

O New England Journal of Medicine publicou um vídeo sobre higiene das mãos. O objetivo é prevenir infecções hospitalares.

Algumas práticas apresentadas são específicas para profissionais da saúde (o uso de luvas, por exemplo), mas de forma geral as instruções são úteis para evitar contaminações em qualquer ambiente.

De acordo com o vídeo, entre 5 e 10% dos pacientes internados adquirem infecção hospitalar, e nos países em desenvolvimento a incidência é maior. Seguir as orientações de higiene das mãos é crucial para evitar infecções.

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por no dia 26 de agosto, 2011      nenhum comentário

Seminário sobre desempenho dos periódicos brasileiros

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) vai sediar o Seminário sobre o desempenho dos periódicos brasileiros no Journal Citation Reports (JCR) 2010. O encontro será dia 16 de setembro e tratará da versão 2010 do JCR, publicada em junho de 2011, que aponta um novo posicionamento da comunicação científica brasileira no contexto internacional. Um exemplo disso é o número de periódicos brasileiros indexados no JCR 2010, que aumentou 43% em relação à edição de 2009.

O seminário contará com participação de autores, pesquisadores, editores e demais profissionais interessados na área, abordando questões como características e consequências do novo posicionamento das publicações científicas nacionais.

A participação no seminário é livre de custo, mas as vagas são limitadas. Interessados derem realizar a inscrição aqui.

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por no dia 9 de agosto, 2011      nenhum comentário