Criação em laboratório de variação mortal do vírus da gripe aviária divide opiniões

Apesar do perigo que pesquisas com vírus e suas mutações representam para a humanidade, esses estudos são os mesmos necessários ao entendimento desses micro-organismos, de como se comportam, e para a criação de remédios e vacinas. Levando esse raciocínio ao extremo, cientistas noruegueses e norte-americanos realizaram um estudo com resultados extremamente perigosos.

A gripe aviária (H5N1) matou mais de 300 pessoas desde 2003, segundo a Organização Mundial da Saúde (http://www.who.int/influenza/human_animal_interface/EN_GIP_20111215CumulativeNumberH5N1cases.pdf). Embora a letalidade do vírus seja alta (mais de 50%) para quem o contrai, temos a favor da nossa espécie o fato de que esse vírus é dificilmente transmissível para e entre humanos (na natureza, a mutação necessária para que o vírus infecte seres humanos faz com que ele não consiga se reproduzir).

Até agora. Os estudos dos virologistas Ron Fouchier, do Erasmus Medical Center, em Roderdam, na Holanda, e Yoshihiro Kawaoka, das Universidades de Wisconsin, nos Estados Unidos, e de Tóquio, no Japão, acabam de mudar esse cenário. Os artigos que divulgam os resultados (e a metodologia) específicos do estudo ainda estão sob avaliação para publicação em revistas científicas, mas resultados apresentados por Fouchier em uma conferência em setembro mostraram que os cientistas conseguiram realizar uma mutação no vírus que o tornou transmissível pelo ar entre furões (animais com o sistema de reação à gripe mais parecido com o dos seres humanos). Após a intervenção dos cientistas, bastava colocar os animais na mesma gaiola para que os saudáveis fossem infectados.

Dado o potencial letal desse tipo de vírus em mãos erradas, como para a criação de armas biológicas, no último dia 20 de dezembro autoridades americanas (http://www.nih.gov/news/health/dec2011/od-20.htm) publicaram uma nota pedindo que os detalhes a respeito da metodologia do experimento sejam omitidos da publicação.

Alguns cientistas acreditam que a metodologia do estudo deva ser divulgada, para que a comunidade médica possa se preparar para eventuais pandemias, conhecendo exatamente quais partes do vírus sofrem mutações e como isso ocorre. Por outro lado, há os que acreditam que o vírus é perigoso demais para que os detalhes do experimento sejam divulgados, e ainda os que defendem a criação de algum tipo de órgão que conceda pré-avaliação a esse tipo de experimento, impedindo que experimentos perigosos demais sejam levados a cabo.

Por hora, só podemos torcer para que o vírus não escape do laboratório!

por no dia 6 de janeiro, 2012      nenhum comentário

Faça um comentário